Engenheiros do Estado conhecem gestão das águas de Israel

Por
Nadja Pacheco
Fonte: Ascom Crea-BA


Representante da autoridade da água de Israel foi convidado pelo Crea-BA e IPB para o Agenda de Desenvolvimento Bahia
21/03/2017

Como fazer a gestão da água em um país com condições desérticas? A resposta para  essa pergunta foi dada pelo representante da Autoridade da Água de Israel, engenheiro Amir Schischa, em uma palestra proferida na tarde desta segunda-feira (20), no auditório da Companhia de Engenharia e Recursos Hídricos da Bahia (Cerb), para engenheiros que trabalham em órgãos ligados ao Governo do Estado. O encontro foi viabilizado pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea-BA) e pelo Instituto Politécnico da Bahia (IPB).

Na oportunidade, o israelense pôde ressaltar a importância de se fazer a gestão da demanda e da oferta de água e sobre a necessidade de se planejar o país para longas estiagens. “A gente já se planeja para o que vai acontecer em 2050. Até lá, investiremos ainda mais em renovação das redes para reduzir perdas, expansão da rede de esgotos para aumentar o reuso,
dessalinização e em desenvolvimento de tecnologias, como sondagens geológicas, que nos dê mais acesso à água”, revelou.

Schischa ainda chamou a atenção do governo para a necessidade de tratar a água como um bem e de realizar campanhas visando economia e não desperdício. “Economizar água não custa dinheiro, trata-se de uma mudança cultural”. Segundo o especialista, por meio de campanhas publicitárias, Israel conseguiu reduzir em 10% o consumo domiciliar. “Hoje as empresas municipais de água e esgoto praticam, em média 10.2 %. Nossa meta é chegar a 7%. Se uma companha municipal está acima do 10%, ela tem que atender a uma exigente lista de ações definidas pela Autoridade Israelense da Água. Essa é exatamente uma das minhas responsabilidades dentro da agência”, afirma, impressionado com a meta estabelecida pelo Brasil para 2030, que é de 31% (de perdas).

Um dos fatores que colaboraram para a redução de perdas foi a exigência por parte da agência israelense em cobrar das redes 2,7% de renovação anual quando atingem uma depreciação de 50%. Outro ponto é o controle da vazão, por parte da autoridade, de cada poço produtor de água no país. 



Agricultura – Mesmo com características de desérticas a semidesérticas, Israel consegue se sobressair mundialmente com a agricultura irrigada, por meio do reúso de água. 60% do que é utilizado nas culturas são efluentes tratados tratados e águas salinas. “Nosso país é um dos líderes em economia de água na agricultura”, comemora.

Para o professor da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Asher Kiperstok, é louvável e até heroico o trabalho que os engenheiros baianos desenvolvem para levar água aos cantos mais secos da Bahia, mas é urgente que o problema da gestão da demanda seja resolvido. “Se continuarmos fazendo desta forma, estaremos abastecendo um balde furado. Ao mesmo tempo, penso que é uma utopia para a gestão de água na Bahia o que Israel faz hoje”.

O secretário de Infraestrutura Hídrica e Saneamento da Bahia, Cássio Ramos Peixoto, agradeceu ao Crea e ao IPB pela viabilidade do evento e a oportunidade de troca de experiências entre os dois países e destacou a importância do planejamento na questão da gestão das águas para que as respostas apareçam mais rápido e os recursos melhores aplicados. “As secretarias precisam estar alinhadas e planejadas e o intercâmbio com países e estados, que estão tecnologicamente a frente, é fundamental”, finaliza.



Agenda de Desenvolvimento Bahia – Amir Schischa foi convidado para o primeiro fórum da segunda edição do Agenda de Desenvolvimento Bahia, realizado no dia 17 de março. O evento discutiu a crise hídrica e reuniu especialistas na Escola Politécnica da Ufba. Mineração e Metalurgia: Sustentabilidade e Desenvolvimento e Métodos Construtivos: Eficiência e Sustentabilidade serão os próximos temas debatidos nos dias 13 de julho e 19 de outubro, respectivamente. Os eventos são gratuitos e abertos a profissionais e estudantes.

 

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