Ele gosta de comer capim (30% da base de sua alimentação), é adaptado ao calor, e rústico, quase não adoece. Porco Piau, Belíssimo animal!





Piau, ''Porco de simples trato''
Um porco para ser criado de maneira rústica, que já é conhecido de muita gente da roça. Esse é o assunto desta reportagem feita na Bahia. O porco piau vem ganhando espaço numa área do Nordeste onde é raro encontrar alimentação de boa qualidade para os animais.Está na Bahia a maior área de semi-árido do Brasil. A pedra, que parece uma guardiã da paisagem, fica no município de Itaberaba, a 280 quilômetros de Salvador. O nome Itaberaba veio do monumento chamado pelos indígenas de Pedra que Brilha.
Em Itaberaba fica a estação experimental da EBDA, Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola, que, há 15 anos, trabalha com o porco piau, uma raça brasileira, que se tornou uma fonte de renda para agricultura familiar da região.
Há sete anos o agrônomo Alberto Alves responde pela pesquisa e pelo incentivo à criação do piau em Itaberaba. “É uma raça nacional de grande valor unitário para o pequeno produtor porque ajuda na constituição de toda uma renda da propriedade”, disse.
Essa raça de porco recebeu o nome de piau devido as pintas que os animais têm na pele. Do tupi, piau significa o que tem manchas, que é pintado. Daí é quase inevitável que surjam brincadeiras por conta do preto e branco.
“Só corintiano e vascaíno e que gosta”, brincou o tratador Maneildo Serra.
Brincadeiras à parte, o doutor Alberto explicou que esse tipo de pele foi um dos fatores que ajudaram na adaptação do piau ao semi-árido. “Esse deve ser um porco branco de pinta preta. O inverso não é interessante para a raça porque são animais que vão sofrer muito mais com o calor, ficarão muito mais estressados do que um porco com a pelagem mais clara”, falou.
A orelha em pé é uma herança dos animais da Península Ibérica, já que até o descobrimento do Brasil não existia porco domesticado por aqui.
“O porco piau é formado de raças de origem européia que chegaram com os portugueses nas primeiras caravelas. Então, são 500 anos de história dessa raça. Esse porco tem muito o que contar em termos de história e muito futuro também”, avaliou o doutor Alberto.
O piau passou a ser considerado uma raça brasileira no final dos anos de 1980, com o registro no Ministério da Agricultura.
“O focinho bem alongado é característica fundamental da raça também. É um animal rústico, capacitado para comer qualquer tipo de alimentação”, esclareceu o doutor Alberto.
O fato de o porco piau gostar de comer capim reduz em 30% os custos com alimentação. E um hectare de pasto disponível o ano todo para os animais pode se transformar em 600 quilos de carne.
Na EBDA, as matrizes, além de pastarem feito gado, se refrescam na lama do buraco que cavaram no fundo da granja.
“Esse é um porco forte, rústico e bem adaptado. Dá uma carne de boa qualidade. Esse animal é considerado como tipo bacon. A carne fica entremeada de gordura, dando um bom paladar e uma boa qualidade à carne”, caracterizou o doutor Alberto.
Aos 45 dias de idade, o piau está pronto para ser entregue aos pequenos produtores rurais. Desde que a pesquisa começou, a estação experimental de Itaberaba disponibilizou pelo menos dois mil leitõezinhos para as propriedades da região.
A dona Marileide Nascimento escolheu três porquinhos que vai levar para sua propriedade. Foram duas fêmeas e um macho, comprados a R$ 2,50 o quilo. “Eu crio para comércio. O pessoal fica de fila lá. Quando as porcas parem, já tem preferência e todo mundo já quer comprar. Se eu vacilar, o pessoal carrega os filhotes e eu fico sem nada. Mas eu gosto de criar, vender uma parte pequen, e os outros eu gosto de deixar para ver engordar. É um sucesso na minha propriedade. Todo mundo gosta”, contou.
Em outra propriedade é possível observar como o piau se adaptou a alimentação disponível no semi-árido. Além do piau, seu José Macedo de Souza, mais conhecido pelo lugar como seu Zito, também produz abacaxi, mandioca, cria um pouquinho de cabras e abelha nativa. “São sem ferrão, para os porcos”, contou.
Os porcos do seu Zito vão ser alimentados com o que ele tem na propriedade. “É ouricuri, mandioca, palma, capim. Ele come capim também. É igual ao boi para comer capim esse porco piau”, falou.
Com o trato no carrinho de mão, seu Zito segue para o chiqueiro, que, atualmente, está com vinte e dois porcos. E os animais já estão esperando por ele. “Já vem tudo, como vem”, contou.
Primeiro, seu Zito joga o coquinho licuri, conhecido na região como ouricuri. Depois, a mandioca, o capim, fresquinho e a palma, um tipo de cacto também comum no semi-árido do Nordeste. Por fim, como complemento, ele joga um pouco de farelo de trigo.
“São uns porcos sem luxo, não tem negócio de frescura. Peguei para experimentar e gostei muito porque é um porco que não adoece, não tem problema de doença. Eu crio para vender e para comer. Faz cozido, ensopado, sarapatel, assado, tudo isso. É bom”, concluiu seu Zito.
Mas quanto tempo um porco piau demora para ficar pronto para o abate?
“Pelo menos 250 dias. É muito tempo”, respondeu o doutor Alberto.
Com 250 dias, o piau atinge cem quilos. Isso é pelo menos o dobro do que o tempo necessário para uma raça industrial chegar a esse mesmo peso. Só que bom para as condições da região.
“O custo de produção é baixo. Uma raça exótica jamais resistiria à alimentação utilizada para a manutenção do porco nacional da raça piau. Você ocupa a terra, gera emprego e ocupa mão-de-obra”, explicou o doutor Alberto.
Com o piau, o agricultor tem fartura na mesa. O sarapatel, o ensopado e o assado foram pratos saboreados por seu Zito e sua família.
“Sempre tem porco na mesa. Graças a Deus, a gente de vez em quando está matando um porquinho”, contou a dona Nilva.
A fartura na mesa da casa do seu Zito traduz a importância do porco piau para essa região do Brasil: comida no prato para quem tem pouca terra e precisa aproveitar, sem luxo, os recursos da propriedade.
Para os técnicos da EBDA, o porco piau pode contribuir, no futuro, para a adaptação de outras raças às condições de criação do Brasil.
Fonte: Globo Rural

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